sábado, 30 de abril de 2011

crônica da semana

Na beira do Amazonas
O Amazonas é o maior rio do mundo. Em tudo. Em volume d’água (a vazão média, considerando a contribuição alternada dos afluentes, é de 200 mil metros cúbicos por segundo); em extensão (a última medição, utilizando a mais avançada tecnologia, levou a nascente do Amazonas até os paredões do nevado de Mismi, no Peru,   tecendo assim, uma tirazinha de lonjura a mais que o dadivoso Nilo); É grande também em encantos, descobertas, alegrias. Decisões.
Em Macapá, o rio Amazonas é majestoso. Desenha ao norte um braço que acaricia, pacifica, afaga os dias e as noites de Fazendinha, mas que também se agita em marés irrequietas e implacáveis lançantes.
Foi num final de tarde. De vento forte, ondas indomáveis, areinha saltitando aos olhos...sol se pondo lá longe...às margens mágicas do Amazonas, foi:
Os olhos da minha companheira algo oblíquos, como os de Capitu, fitavam um ponto no horizonte, ali pros lados doirados donde se punha o sol. Era um olhar distante e ao mesmo tempo perto. Um olhar que se perdia, ao léu, que se perguntava, que mergulhava nas profundezas da dúvida. Mas, logo se achava em certezas, se encontrava em futuros e me iluminava com aquela cintilação âmbar, com aquele fulgor rigoroso e comovente. Naquela tarde, tecíamos os delicados fios da nossa história.  Ponderações foram exercitadas. Estávamos no calor da juventude, cheios de desejos, ávidos por liberdade, apressados e irresolutos. Animados com uma fita K7 que tínhamos da Janis Joplin e que curtíamos, insanamente, entre quatro paredes; satisfeitos com a norma diária de não formalizar contas a ninguém e seguros de nos termos intensamente um ao outro.
Mas tínhamos a história, a tecer. Eu era ‘amamãezado’. E isso era um problema. Tinha um chamego com minha mãe. Era um grude, uma devoção. Minha companheira sabia que o compromisso assumido, provado e apregoado, iria impactar diretamente nesta relação, como de fato, ocorreu: minha mãe ficou enciumada que só ela.
Outros fatos nos aperreavam a alma. A idéia de constituir família, a formação de um lar, a lida diária para prover o sustento. Estes detalhes eram coisas longínquas para nós que, à época, éramos felizes com uma rede e um toca-disco, bens computados, exclusivamente, como as nossas mais estimadas posses. As coisas teriam que mudar.
Havia, porém, decisão naquele olhar que vagava mapeando os contornos do horizonte e desafiava o mosaico prateado do arrebol. Quando volvia a mim aquele olhar, depois de uma viagem por aquele lugar incerto onde o céu engole o rio-mar; quando minha companheira voltava para mim, aqueles olhos cor de mel, ela inundava meu coração com uma mensagem de carinho (e este doce olhar me vale até hoje, mais do que a pedra mais aquilatada que se possa lapidar).
Nosso primeiro filho começou a nascer naquele dia. A revolução das águas, a mística do meio do mundo, os grãozinhos de areia irritando os olhos e fazendo minha companheira chorar (pelo menos foi esta explicação que ela deu para as lágrimas que, aqui e ali, lhe caíam à face). Naquele tempo, não se usava dizer “discutir a relação”, de qualquer forma, estávamos às margens do extraordinário rio Amazonas, decidindo a nossa vida. Teríamos um bebê, nos apresentaríamos de fato e de direito à sociedade, contornaríamos uma ou outra cena de ciúme da mamãe, criaríamos vergonha e começaríamos a comprar umas coisinhas para o nosso lar. Isso foi há 18 anos.
Minha companheira Edna faz aniversário na próxima quarta-feira. Pensei num presente. Resolvi dar a ela, a lembrança daquela tarde maravilhosa.
O Amazonas é o maior rio do mundo. Em tudo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Crônica remix- Perdão

Não se surpreendeu quando o carteiro chamou pelo seu nome, lá do portão, aperreando-se para salvaguardar o envelope dos chuviscos de uma manhã de abril.

Confirmou o subscrito. Rasgou, desregradamente, o envelope, acomodou-se no sofá. Reconheceu ali um pedido sincero de perdão e as marcas de um tempo perdido:
“A verdade é um beijo que tem o amargo gosto da dor. Então, perdão, mon amour, pelas deliciosas mentiras seladas com doces beijos. Perdão, mon amour, pelos reluzentes coquetes contabilizados pelo tempo, como frivolidades líricas.
Tenho saudade de ti. A minha boca que te falou febril em tantos sonhos, mas que, acordada, te faltou; a minha voz que tanto sofreu, ansiosa por dizer verdades, e que, reprimida, maldisse em silêncio tantas vezes, as vazias conveniências, agora livre das garras da mentira, te confessa: tenho saudade de ti.
Perdão, mon amour, pela vilania de tantos beijos doces porque, hoje é tudo silêncio e tédio na minha vida sem ti.
Vê o meu mal: meu violão desafina na tua ausência. Meu coração mente dizendo ter a paz. Meus passos forjam caminhos buscando um lugar seguro. Mas que nada! Para meu pesar, a saudade de ti vem ferina, em semitons, em guerras e lágrimas. A saudade vem por vielas atapetadas com as dores da distância.
Minha vida é hoje permeada de ausências. A solidão me abate... No coração, a lembrança triste de um dia em que as tuas mãos se eternizaram, cruelmente, num aceno...(que cena que me tortura,  que me corrói, que me condena a te procurar, arrependido, todos os dias num adeus).
Perdão, mon amour, se a mentira, por anos, se travestiu em enganosos doces sabores. Se o temor verdadeiro de um beijo te trouxe melífluas impressões (que eu sei, que eu sei não serem mais possíveis porque sempre foram irreais).
Tenho saudade de ti e minha canção na noite de lua te chama para um beijo perdido longe na lembrança de um dia feliz, em que me apaixonei pelo brilho  dos teus olhos de mel.
Deus!Quanto mal te fiz! E por que te fiz ser triste? Se eu sempre te quis...Eu sempre te quis.
Perdão, mon amour. Que a saudade me pegou em francês e a minha vida é brisa frágil agora, cuidando, cuidando para não se quedar ao tempo ruim.
Ai de mim que te perdi.
Pelo doce dos beijos que te dei, perdão, mon amour, Perdão.”
Largou a carta sobre o sofá e saiu para cuidar da vida. Ponderando, sim, as mínimas, as rarefeitas possibilidades de um perdão. Pesando, sim, as chances de um perdão, mas ao mesmo tempo, perguntando-se se algum dia iria entender um tantinho sobre essas coisas ininteligíveis do amor.

A galera da Geo

quarta-feira, 27 de abril de 2011

vale a pena acordar de madrugada (ou nem dormir)

"Nesse mês, alguns eventos astrônomicos que irão ocorrer dia após dia(...) vale contemplar e fotografar. Trata-se da aproximação dos planetas Mercúrio, Júpiter, Marte, Vênus e Urano (sendo somente esse último não visível a olho nu) após o dia 20 de abril. Para embelezar ainda mais o céu com as aproximações desses 5 planetas teremos a aproximação da Lua com os planetas Vênus e Mercúrio em 30 de abril e a aproximação da Lua com Marte e Júpiter em 01 de maio...contemplar num mesmo campo de visão 4 planetas visíveis a olho nu é caso raro. " (do astrônomo Marcos Callil no site Clima Tempo)



terça-feira, 26 de abril de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Créditos

O cenário que enriquece de beleza e cor este blog é uma beira-rio acreana que eu tomei emprestado do cantador Sérgio Souto artista iluminado daquelas terras. A foto é bela, harmônica, suave, interiorana e universal. Um poema bom de se ver.
A cara do blog, a sua personalidade, o jeitão do bichinho é uma idéia do meu sobrinho Victor Uislan. A Katyane foi quem criou o blog pra mim, porque eu sou pateta pra essas coisas.
Todo o resto é da alma, do coração ou de um povo amigo