sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Sem nada

 Sem Nada

 

O brilho tenta ir embora

A luz, pouca luz

Estupra pupilas testemunhas

Com imagens de horror

 

Gritos lançam-se

Gestos lançam-se

Braços fortes-brasis lançam-se

Em desabalada

Desgraçada

Desencantada

Desesperada

Ânsia louca

 

O gatilho deflagra a bala

Que atravessa os corpos

Que dilacera os ossos

Que vara os olhos

Que pulveriza os dentes

Que mutila a alma

 

A bala é um barco navegando

Em rios de sangue

Derrubando castanheiras

Seringais

Chicos Mendes

Seringais, castanheiras

Por terra

Sem terra

Sem nada

 

A bala é um zunido sem dono

Nenhum grito na cidade

O brilho vai embora

As pupilas testemunhas

Fecham-se alagadas

Alguém passa e cospe nos corpos

Esquecidos de nome.

 

 

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