Sem Nada
O brilho tenta ir embora
A luz, pouca luz
Estupra pupilas testemunhas
Com imagens de horror
Gritos lançam-se
Gestos lançam-se
Braços fortes-brasis lançam-se
Em desabalada
Desgraçada
Desencantada
Desesperada
Ânsia louca
O gatilho deflagra a bala
Que atravessa os corpos
Que dilacera os ossos
Que vara os olhos
Que pulveriza os dentes
Que mutila a alma
A bala é um barco navegando
Em rios de sangue
Derrubando castanheiras
Seringais
Chicos Mendes
Seringais, castanheiras
Por terra
Sem terra
Sem nada
A bala é um zunido sem dono
Nenhum grito na cidade
O brilho vai embora
As pupilas testemunhas
Fecham-se alagadas
Alguém passa e cospe nos corpos
Esquecidos de nome.
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